Egípcios começam a se reunir na praça Tahrir, no Cairo, atendendo uma chamada da oposição de uma "marcha de um milhão" de pessoas .A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou nesta terça-feira dispor de informações não confirmadas de que 300 pessoas morreram nos protestos contra o governo de Hosni Mubarak no Egito, mais do que o dobro do balanço anunciado até o momento.
Navi Pillay se declarou "profundamente alarmada com o crescente número de vítimas" no Egito, país que passa por manifestações sem precedentes. Os balanços mais recentes registravam 125 mortes.
"O número de vítimas aumenta a cada dia e algumas informações não confirmadas sugerem que 300 pessoas podem ter falecido, mais de 3 mil teriam ficado feridas e centenas detidas", completou. "Peço às autoridades egípcias que se assegurem de que a polícia e as demais forças de segurança evitem escrupulosamente o uso da força".
Pillay destacou que o movimento popular no Egito acontece de "maneira corajosa e pacífica". Ela exortou as autoridades egípcias a "escutar as demandas do povo egípcio a favor das reformas fundamentais para melhorar os direitos humanos e a democracia".
Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.
O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.
Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro.Depois Já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.
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