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EUA: mundo é capaz de lidar com falta de petróleo da Líbia

A Casa Branca afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos e a comunidade internacional como um todo têm a "capacidade de agir" em caso de uma interrupção do fornecimento de petróleo após os eventos na Líbia.

"Estamos em contato com a AIE (Agência Internacional de Energia) e nós temos a capacidade de agir no caso de qualquer interrupção do fornecimento", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Carney não informou quais passos específicos a Casa Branca tomaria para mitigar a situação.

Os comentários da Casa Branca ocorrem enquanto três legisladores democratas pediram ao presidente Barack Obama que utilizasse os estoques de petróleo para manter os preços da gasolina baixos em meio às turbulências que ocorrem no Oriente Médio e no norte da África.

"Devemos analisar todas as opções imediatas, a fim de impedir um aumento incontrolável dos preços, como no verão de 2008", escreveram os representantes Ed Markey, Rosa DeLauro e Peter Welch, em carta endereçada ao presidente nesta quinta-feira.

Segundo os parlamentares, as reservas estratégicas americanas estão no nível mais alto, com 727 milhões de barris (115,5 bilhões de litros).

Eles estimam também que os principais países produtores de petróleo podem "compensar facilmente" toda a perturbação no abastecimento mundial causada pela situação na Líbia.

Lembraram que outros presidentes apelaram para as reservas estratégicas, principalmente em 1991, por ocasião da guerra do Golfo e após o furacão Katrina, em 2005.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

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