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Brasileiros deixam capital da Líbia; restante embarca hoje

O Ministério de Relações Exteriores informou nesta quinta-feira que os brasileiros que estavam na capital Trípoli já deixaram a Líbia. Eles embarcaram nos cinco voos fretados pela construtora Norberto Odebrecht e vão se deslocar rumo a Malta. Com isso, informam as autoridades diplomáticas, praticamente não restam brasileiros na capital líbia.

Ainda na noite de hoje, os últimos 148 brasileiros que estão na cidade de Benghazi - a segunda maior do país e um dos principais focos de manifestações - devem partir em navio em direção à Grécia. Antes do início dos protestos populares, estima-se que entre 500 e 600 brasileiros viviam no país africano.

Nesta manhã, em Brasília, o embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, justificou a violência do governo Maummar Kadafi contra manifestantes, argumentando que o governo local está ameaçado pelo grupo terrorista Al-Qaeda, que buscaria controlar as reservas de petróleo na nação norte-africana.

"Temos provas e informações de que Al-Qaeda deseja fundar um centro de mobilidade na região leste da Líbia para atacar a Europa. E esse projeto é conhecido através da Mauritânia até o Egito com a liderança de Bin Laden. Essas pessoas obtiveram armas e armamentos e usaram seres humanos como escudos humanos, conseguindo conquistar alguns centros de polícia. Mataram civis e inocentes. Por isso o Estado bombardeou os depósitos de armas", relatou o embaixador em pronunciamento em Brasília.

Fiel ao governo Kadafi, Ezeubedi explicou que houve armamentos roubados e que agora estão em poder dos supostos terroristas. "Esses grupos buscam o controle dos poços de petróleo", disse, explicando que os protestos populares começaram em pequena escala, mas que a ameaça à segurança nacional imposta pelos ditos integrantes da Al-Qaeda teve de ser combatida.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

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