Veículos militares são vistos perto da praça Tahrir, no Cairo, onde as estradas de acesso foram fechadas .O Exército egípcio fechou nesta terça-feira os acessos ao Cairo e outras cidades onde foram convocadas passeatas para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak. A autoestrada que liga Alexandria ao Cairo estava bloqueada a 1 km da capital por um posto de controle militar.
Uma longa fila de caminhões de mercadorias e automóveis aguardava autorização para passar, mas os soldados impediam o avanço de veículos para a capital.
A AFP constatou ainda que as saídas das cidades de Mansura (delta do Nilo), Suez (leste) e El Fayyum (ao sul do Cairo) também foram bloqueadas pelo Exército.
O tráfego ferroviário está suspenso desde segunda-feira e a linha de metrô que liga o Cairo a Shubra el-Kheima (20 km ao norte) foi fechada. Muitos moradores da capital que tentavam chegar ao trabalho nos arredores da cidade foram impedidos pelos bloqueios.
Dezenas de milhares de pessoas começaram a se reunir na manhã desta terça-feira no Cairo para um dia de manifestações gigantescas, depois de uma semana de mobilização contra Mubarak.
O Exército se comprometeu a não recorrer à força, por considerar que as reivindicações populares são "legítimas", mas pediu aos manifestantes que façam uso de meios pacíficos.
O movimento de protesto, sem precedentes desde a chegada ao poder de Mubarak em 1981, começou em 25 de janeiro e deixou pelo menos 125 mortos e milhares de feridos.
Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.
O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.
Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro.Depois Já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.
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