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Egito: EUA ordenam saída de pessoal não essencial de embaixada

Os Estados Unidos ordenaram nesta terça-feira a saída do país dos funcionários não essenciais de sua embaixada no Cairo, enquanto centenas de milhares de egípcios exigem nas ruas a saída do presidente Hosni Mubarak. "O Departamento de Estado ordenou a saída do Egito de todos os empregados não essenciais do governo dos Estados Unidos e de suas famílias devido aos recentes acontecimentos", afirmou em um comunicado o porta-voz da diplomacia americana, Philip Crowley.

Os diplomatas americanos neste país estavam autorizados desde o último domingo a deixar o Egito se assim o desejassem. Desde segunda-feira, cerca de 1,6 mil americanos foram evacuados, embora a operação tenha se tornado mais lenta nesta terça-feira, já que as forças de segurança egípcias cortaram as estradas para controlar os protestos, disse o Departamento de Estado.

Segundo as informações, cerca de 460 cidadãos abandonaram nesta terça-feira o Egito em direção a diferentes destinos, como Istambul e Atenas. No total, 3 mil americanos pediram para ser evacuados, enquanto outros se dirigem diretamente ao aeroporto. O governo do presidente Barack Obama também havia recomendado a todos os seus cidadãos americanos que evitassem viajar ao Egito.

Os protestos, nunca vistos desde a chegada ao poder do presidente Hosni Mubarak em 1981, começaram no dia 25 de janeiro e já deixaram 300 mortos, segundo um balanço não confirmado divulgado pela ONU, e milhares de feridos.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, pronunciou nesta terça-feira um importante discurso à nação depois de uma jornada em que centenas de milhares de pessoas foram às ruas das cidades do país para exigir seu afastamento.

Mubarak, no cargo há 30 anos, anunciou que não vai disputar a presidência de novo, mas que ficará até o fim de seu mandato para atender as exigências dos manifestantes.

Pelo menos 1 milhão de pessoas saíram às ruas nesta terça, em cenas nunca vistas antes na história moderna do país, exigindo em uníssono a renúncia de Mubarak. Mais de 200 mil egípcios se concentraram na praça Tahrir, no centro do Cairo, e 20 mil saíram em passeata na cidade de Suez, no leste do país.

Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro. Uma semana após o início dos protestos, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que informações não confirmadas sugerem que até 300 pessoas podem ter morrido e que há mais de 3 mil feridos do país.

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