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Polícia: bandidos 'descapitalizados' miram joalherias no RJ

Para a polícia do Rio de Janeiro, o crescente número de ataques a joalherias de shoppings se tornaram a opção de criminosos "descapitalizados" pelo combate ao tráfico de drogas no Estado. A prática havia diminuído desde meados de 2010, quando a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) prendeu grande parte dos ladrões em ação, mas este ano, em apenas uma semana, três assaltos foram registrados na capital e na Baixada Fluminense. Em um deles, em Nova Iguaçu, o segurança da loja foi morto.

De acordo com levantamento feito pela delegacia em 2010, desde que favelas do Rio começaram a ser ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), alguns bandidos trocaram o tráfico - que deixou de ser lucrativo - pelos assaltos. Os casos ocorridos semana passada nos shoppings de Botafogo, Nova Iguaçu e Tijuca, porém, ainda não podem ser classificados nesta modalidade, já que as investigações para descobrir a autoria dos crimes ainda estão em andamento.

"Temos informações de que remanescentes da quadrilha do Complexo do Alemão, por exemplo, estariam se reagrupando na Mangueira, Parque União e Vila Kennedy para roubar. Alguns receptam as joias para se exibir, outros para vender mesmo", afirmou o delegado-adjunto da DRF, Marcelo Martins.

O Rio é considerado o berço das maiores redes de joalherias do País e possui cerca de 1,5 mil pontos de vendas, de acordo com a Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Rio (Ajorio). Mas, para a polícia, muitos roubos em joalherias de shoppings seriam os chamados "crimes de oportunidade". E o fator que mais facilitaria a ação de bandidos, segundo o delegado, é a falta de estruturas eficazes de segurança nos centros comerciais.

"Os fatos mostram que a maior parte poderia ser evitada, não fossem as falhas dos shoppings. Além de não investirem em equipamentos de monitoramentos adequados, falta entrosamento deles com a polícia para criar estratégias de defesa. Os comerciantes acabam sendo vítimas duas vezes, pois, além de serem assaltados, têm um péssimo serviço dos shoppings", disse Martins.

Desde o fim do ano passado, a DRF voltou a fazer rondas nos shoppings para orientar lojistas e levantar informações sobre suspeitos. O delegado afirmou, no entanto, que alguns estabelecimentos ainda resistem ao apoio da polícia. "Muitos nem atendem. O contato com a polícia é importante para a investigação e identificação dos criminosos. Graças à parceria com os bancos e instituições financeiras, por exemplo, diminuímos o número de roubos de 23 casos em 2009, para apenas sete no ano passado", afirmou.

Parceria com associação
A Ajorio entrou na parceria com a polícia para vencer a guerra contra os assaltantes. Segundo a presidente da instituição, Carla Pinheiro, foi criado um núcleo de inteligência pela entidade, para levantamento de dados dos roubos, o que ajudou a baixar os índices. "Começamos a trocar informações com a polícia, oferecer recompensas para denúncias sobre os assaltantes e conscientizar os empresários a denunciar os casos à delegacia. No meio do ano passado, ocorria quase um assalto por dia, mas conseguimos reduzir para um por mês", disse.

A presidente da Ajorio ressaltou que, na maior parte das vezes, o descaso de alguns shoppings facilita a ação dos bandidos. "Eles têm dificuldades de tomar as medidas básicas. Faltam seguranças suficientes, equipamentos adequados, como câmeras e botão de pânico. A sensação dos empresários é de que falta comprometimento por parte dos shoppings", afirmou.

Em SP, migração seria de ladrões de banco
Na capital paulista, o shopping de luxo Cidade Jardim foi alvo de dois grandes assaltos no primeiro semestre de 2010. Em maio, assaltantes levaram da joalheria Tiffany & Co. peças no valor de R$ 1,5 milhão. Menos de um mês depois, a Corsage, distribuidora da marca de relógios Rolex, foi atacada.

Na época, a polícia afirmou que o aumento dos assaltos a estes estabelecimentos era resultado de uma "migração" dos ladrões de banco, lotéricas e supermercados. Para os investigados, os shoppings viraram alvo dos criminosos também porque os seguranças destes locais geralmente não andam armados.

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