Reprodução da televisão estatal egípcia mostra a coletiva do novo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman.O vice-presidente egípcio Omar Suleiman disse esta quinta-feira à TV estatal que a violência contra os manifestantes na Praça Tahrir, no centro do Cairo, pode ter sido fruto de conspiração, fomentada no Egito ou até mesmo no exterior.
"Analisaremos estes atos (de violência) diante do fato de que são um complô", disse Suleiman, que foi nomeado para o cargo no sábado passado. Em outro momento, o vice-presidente disse que a reivindicação dos manifestantes pedindo a saída do presidente Mubarak é um "chamado ao caos", quando perguntado sobre os novos protestos antigovernamentais previstos para a sexta-feira, apelidados de "dia da despedida" em alusão à desejada renúncia do presidente.
A reivindicação para a "saída de Mubarak é um chamado ao caos", disse Suleiman. O vice-presidente afirmou ainda que a violência pode ter sido estimulada por algumas "agendas estrangeiras, certos partidos ou homens de negócios".
O governo anunciou a adoção de medidas com vistas a acalmar a sangrenta revolta, enquanto os distúrbios prosseguem com o enfrentamento entre partidários e críticos a Mubarak.
Suleiman também pediu a "libertação imediata" de jovens militantes não envolvidos em atos criminosos, anunciou nesta quinta-feira a televisão estatal. Ele fez referência aos jovens envolvidos no movimento de contestação iniciado no dia 25 de janeiro, para exigir a demissão do presidente Hosni Mubarak.
Antes desta declaração, o vice-presidente anunciou, em nota lida pela televisão, que o filho de Mubarak não se apresentaria às eleições de setembro no Egito, numa tentativa de acalmar a oposição que teme a ascensão de Gamal ao poder.
Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.
A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak.
A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos na capital. Manifestantes pró e contra o governo Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. O número de mortos é incerto, entre seis e dez, e mais de 800 pessoas ficaram feridas. No dia seguinte, o governo disse ter iniciado um diálogo com os partidos. Mas a oposição nega. Na praça Tahrir e arredores, segue a tensão.
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